Ele sabe
do que a gente gosta, faz tudo e mais alguma coisa para nos conquistar:
banca o
romântico, enreda com palavras doces, atenções
e se comporta
como se não existisse mais ninguém no mundo além de
você.
Por algum
tempo, realmente não existe.
Ele é
tão, tão maravilhoso que parece bom demais para ser verdade
e pode
acreditar, não é verdade mesmo.
Quando consegue
o que quer - e não precisa ser necessariamente ser sexo,
"basta"
a rendição da vítima, perde o interesse e desaparece.
O comportamento
é típico dos conquistadores compulsivos
-
retratado muitas vezes no cinema -
e quem
já conheceu um, conheceu todos.
Embora haja
de caso pensado,
não
é por perversidade que ele se comporta como um trapaceiro.
Sofre do
que os especialista chamam de Síndrome de Dom Juanismo,
referência
ao lendário sedutor espanhol do século 17
que teve
mais de mil mulheres e jamais amou alguma.
" Esse tipo
de homem é pura propaganda enganosa."
Explica
o psicólogo Oswaldo Rodrigues Júnior,
diretor
da federação Latino Americana de Sociedades
de Sexologia
e Educação Sexual.
A mulher
pensa que está diante de um homem que é sensibilidade à
flor da pele,
quando
o sujeito na verdade é emocionalmente um primata
seguindo
o velho instinto caçador do macho.
As mulheres
podem evitar entrar na roubada,
conhecendo
alguns típicos representantes.
O economista
carioca Ítalo Tostes da Cunha, de 32 anos,
faz o tipo
sarado-malha, pratica esportes, veleja e é obsessivo.
Diante
de uma possível conquista, é capaz de investir meses.
"Gosto
de dominar, não suporto receber um não.
Cerco a
garota, mostro minhas virtudes, sou atencioso e gentil " explica.
Isso sem
falar nos jantares romãnticos em restaurantes badalados,
presentes
e viagens aconchegantes para o litoral.
A vítima
ideal das fantasias de Ítalo é loira, alta, corpo torneado,
rostinho bonito,
seios de
médio para grande, senso de humor e bom gosto para se vestir.
Só?
Não
quer dizer, porém, que vá cair de quatro ao encontar tal
monumento,
basta o
namoro começar e engrenar que pula fora.
Segundo
ele, a garota com quem está há dois meses ficou chata como
todas as outras:
" Liga
o dia todo, quer saber onde e com quem saí, enfim, quer controlar
a minha vida ."
Prova cristalina
que o sedutor compulsivo desconhece
o que seja
arrependimento dá o estudante de
administração
paulistano Renato de Almeida,
de 28 anos
que sabe, como poucos, fingir que é romântico.
"Sou como
um vendedor: faço de tudo para agradar à cliente.
Sou convincente.
Eu canto
a música que elas querem ouvir" vangloria-se.
Renato
não poupa esforços nem dinheiro: vinhos das melhores safras,
flores,
presentes
caros, e-mails carinhosos e muitas ligações.
A idéia
é levar a iludida a acreditar que encontrou um homem diferente dos
outros.
A atual
namorada de Renato, já percebeu que,
depois
de oito meses, o romance já não ferve como antes.
A história
começou com um torpedo que ele lhe mandou num bar da praia
.
Tão
irresistível que ela não só o convidou para a sua
mesa
como ainda
tomou a iniciativa do primeiro beijo.
No íntimo
pintou uma pontinha de desconfiança, mas queria - e ainda quer -
acreditar
que Renato é perfeito.
"Quando
cheguei no apartamento dele, havia em cima da cama uma caixa de chocolates,
uma toalha
com o meu nome bordado
e uma foto
dele na Espanha com uma mensagem:
"Na próxima
vez, quero estar com você".
Hoje, passados
oito meses, é ela quem se esforça para manter a relação.
"Histórias
como essa são muito comuns",
garante
o psiquiatra Luiz Cushinir,
" O homem
tem a necessidade de preencher e a mulher de ser preeenchida ".
Daí
cabe à mulher saber discernir se a relação é
uma fantasia
passageira
ou se tem realmente futuro. Não é fácil.
O sedutor
Fábio Monteiro dá golpes certeiros na auto-estima feminina.
Manda poesias
e cartinhas românticas.
" A maioria
das mulheres se deixa levar muito facilmente" diz ele.
Se desconfia
de que a namorada está querendo controlá-lo,
Fábio
some na poeira sem dar explicação.
Como a
maior parte dos conquistadores obssessivos,
não
sabe explicar os motivo do sumiço.
Simplesmente
desaparece e até troca de celular para não ser encontrado.
O sedutor
retira prazer e satisfação do processo de conquista.
Quando
'ganha' uma mulher, ela deixa de ter serventia.
Diz o sexológo,
porém, verdadeiro, é um alerta para aquelas que resolvem
pagar para ver.
Sim, porque
nem todas entram nessa por confundir sedução com afeto.
Há
mulheres que percebem o jogo e vão em frente, pois querem ser seduzidas
dessa forma.
A carência
afetiva pode ser um dos motivos, mas o mais comum, segundo o sexólogo,
é
haver entre os dois uma certa compatibilidade.
" São
mulheres que não cresceram emocionalmente. Não se contentam
com as dificuldades
e alegrias
corriqueiras. Querem que tudo aconteça como num sonho".
"Se a mulher
percebe que o caso
é
a conquista pela conquista e continua, está sendo conivente".
Álibi
Científico
Não
desistir é um dos sintomas da Síndrome de Don Juanismo.
Sintoma
mesmo, porque, segundo estudos psiquiátricos americanos,
esse comportamento
masculino pode ser causado por um desiquilíbrio químico.
Tais homens
tem carência de uma substância chamada feniletilamina (FEA),
conhecida
como a mina da excitação. Ela provoca as sensações
de exaltação,
euforia
e alegria que se experimenta ao estar apaixonado.
Normalmente,
a sensação de euforia provocada por ela
começa
a desaparecer depois de dois a três meses de relacionamento,
mas Não
pelos apaixonados pela conquista.
Eles estariam
sempre precisando de uma nova dose para se manterem ligados,
num mecanismo
muito parecido com o da dependência química.
Essa tese
daria um álibi científico aos sedutores empedernidos.
Ainda não
é, porém, prova irrefutável de sua inocência
porque
os estudos estão apenas no início, avisa o sexológo.
Seja ou
não o conquistador um doente,
de uma
coisa o sexológo Oswaldo Rodrigues não tem duvida:
ele pode
parecer poderoso e inabalável, mas sofre muito por ser como
é.
Pelo simples
fato de que um homem desses nunca terá a certeza de que é
feliz.
Precisa
repetir o ritual indefinidamente e, depois de alguns anos,
pode perceber
que não conseguiu construir nada.
Se serve
como vingança,
o futuro
do devorador de mulheres costuma ser a solidão.
