Quem passa debaixo da minha janela ultimamente

não ouve nada: só o silêncio.

Eu o guardo como um luto fechado em meu peito

amarrado com tristeza, barbante e saudade.

Aqui dentro, ele dorme como um cão vigia.

Meu grande medo é seu sobressalto

ai de mim, se me toma de assalto!

Quem por aqui passa não nota

o meu lento e cuidadoso movimento

só mesmo o barulho do vento.

Não quero lembrar que eu existo.

Ultimamente só quero silêncio.

Silêncio ...