Estamos
chegando ao equilíbrio entre a repressão e o descompromisso
em sexo.
Descobrimos
que uma relação sexual precisa de honestidade emocional.
Tem de
ser na hora certa, com a pessoa certa, pelos motivos certos.
Caminhou-se
da repressão para a liberação num tempo recorde,
e só
agora se está chegando a um ponto de equilíbrio.
Depende
de com quem, como, quando, onde e por quê.
Mudaram
crenças, valores e comportamentos.
Antigamente
se considerava a sexualidade como uma força instintiva,
ameaçadora,
maléfica que deveria ser contida a todo custo.
Isso porque
o instinto sexual era percebido como uma força animalesca
que precisava
ser dominada antes que exercesse seu domínio sobre nós.
Tal atitude
reflete uma concepção do homem como um ser dividido, partido
ao meio,
em que
a parte superior (a razão), era considerada boa;
e a inferior
(os instintos), má.
A cabeça
tinha de conter os impulsos, reprimir os instintos,
enjaular
os desejos, suprimir as fantasias.
Agora essa
concepção mudou e já sabemos que não adianta
ter cabeça sem corpo.
Nossos
pensamentos são tão importantes quanto a fala do coração,
quanto
o que nossas entranhas desejam.
O que significa
que cada vez mais o ser humano é entendido como um ser integrado,
em que
a razão, os sentimentos e as necessidades instintivas se relacionam,
se interligam
e têm o mesmo valor.
Na época
da repressão sexual, incutiam-se nas pessoas o medo, o sentimento
de culpa
e de vergonha
para impedir que o impulso sexual se manifestasse.
Tais sentimentos,
que são armas psicológicas muito poderosas,
quando
conjugados tinham uma força incrível.
Tornavam-se
um cinto de castidade psicológico que trancava
a sexualidade
a sete chaves, congelando-a, impedindo-a de se manifestar.
Grandes
mudanças ocorreram dos anos 60 para cá. Com a revolução
sexual,
devido
ao aparecimento das pílulas anticoncepcionais e da conquista
do mercado
de trabalho pela mulher,
deu-se
um processo de descongelamento
acelerado
da sexualidade.
Isso provocou
um aquecimento geral das relações
macho-fêmea,
homem-mulher,
e as pessoas
ficaram deslumbradas com a liberdade
( " agora
pode, quanto mais melhor" ).
Descobriu-se
que sexo era gostoso em si.
O que importava
era basicamente o momento.
Foi a época
do sexo pelo sexo, do prazer pelo prazer.
Não
se pensava muito nas conseqüências.
Passado
esse momento de euforia com a liberdade,
começou
a aparecer também uma certa sensação de vazio
diante
de tanto amor colorido.
Quando
existe uma troca muito intensa de parceiros,
as pessoas
transam muito mais para se provar,
para se
testar do que para se entregar ao outro ou para se envolver com o outro.
E aí,
nos anos 80, surgiu a AIDS, que brecou a sexualidade de toda uma geração.
As pessoas
ficaram mais seletivas
( " poder,
pode; mas não deve" ).
Descobriram
que liberdade sempre implica responsabilidade.
Mas, afinal,
o que é responsabilidade? É a habilidade de responder por
aquilo que se faz,
porque
na vida tudo tem conseqüências.
Pode-se
no dia seguinte acordar grávida
ou tendo
pego alguma doença, até mesmo mortal.
Por isso,
mais e mais se diz que sexo com responsabilidade é sexo sem vítimas.
E sexo
sem responsabilidade é sexo com vítimas.
Assim, aos
poucos, foi surgindo uma nova moral sexual, de circunstância.
O que significa
que um ato em si não é certo ou errado. Depende.
Sob esse
ponto de vista, pode-se comparar sexo com dinheiro.
Depende
de como você usa.
Se você
perguntar " ter uma relação sexual é considerado certo
ou errado? "
a
resposta é " depende de com quem, como, quando, onde e por quê
" .
Se for
com a pessoa errada, na hora errada, pelas razões erradas, é
lamentável.
Mas, se
for nas condições certas, essa experiência pode ser
muito importante.
É
preciso haver honestidade emocional
para ninguém
se violentar nem violentar o outro.
A regra
fundamental para a nova moral sexual é, portanto, respeitar-se.
Não
se machucar e não machucar o outro.
Dentro
da nova moral sexual o pecaminoso ou virtuoso não é o ato
em si.
Esse julgamento
vale para as condições.
São
as circunstâncias em que ele ocorre
e as conseqüências
que determinam sua validade.
Entre a
repressão e o descompromisso:
Respeito
é a base da nova moral sexual.
