Foto: Joao® - Imagem Mirella®
 


 

Estamos chegando ao equilíbrio entre a repressão e o descompromisso em sexo. 
Descobrimos que uma relação sexual precisa de honestidade emocional. 
Tem de ser na hora certa, com a pessoa certa, pelos motivos certos. 

Caminhou-se da repressão para a liberação num tempo recorde, 
e só agora se está chegando a um ponto de equilíbrio. 
Depende de com quem, como, quando, onde e por quê. 

Mudaram crenças, valores e comportamentos. 
Antigamente se considerava a sexualidade como uma força instintiva,
ameaçadora, maléfica que deveria ser contida a todo custo. 
Isso porque o instinto sexual era percebido como uma força animalesca 
que precisava ser dominada antes que exercesse seu domínio sobre nós. 

Tal atitude reflete uma concepção do homem como um ser dividido, partido ao meio,
em que a parte superior (a razão), era considerada boa;
e a inferior (os instintos), má. 
A cabeça tinha de conter os impulsos, reprimir os instintos,
enjaular os desejos, suprimir as fantasias. 

Agora essa concepção mudou e já sabemos que não adianta ter cabeça sem corpo. 
Nossos pensamentos são tão importantes quanto a fala do coração, 
quanto o que nossas entranhas desejam. 
O que significa que cada vez mais o ser humano é entendido como um ser integrado, 
em que a razão, os sentimentos e as necessidades instintivas se relacionam, 
se interligam e têm o mesmo valor. 

Na época da repressão sexual, incutiam-se nas pessoas o medo, o sentimento de culpa
e de vergonha para impedir que o impulso sexual se manifestasse. 
Tais sentimentos, que são armas psicológicas muito poderosas, 
quando conjugados tinham uma força incrível. 
Tornavam-se um cinto de castidade psicológico que trancava 
a sexualidade a sete chaves, congelando-a, impedindo-a de se manifestar. 

Grandes mudanças ocorreram dos anos 60 para cá. Com a revolução sexual, 
devido ao aparecimento das pílulas anticoncepcionais e da conquista
do mercado de trabalho pela mulher,
deu-se um processo de descongelamento
acelerado da sexualidade. 
Isso provocou um aquecimento geral das relações 
macho-fêmea, homem-mulher, 
e as pessoas ficaram deslumbradas com a liberdade 
( " agora pode, quanto mais melhor" ). 
Descobriu-se que sexo era gostoso em si.
O que importava era basicamente o momento. 
Foi a época do sexo pelo sexo, do prazer pelo prazer. 
Não se pensava muito nas conseqüências. 

Passado esse momento de euforia com a liberdade, 
começou a aparecer também uma certa sensação de vazio 
diante de tanto amor colorido. 
Quando existe uma troca muito intensa de parceiros, 
as pessoas transam muito mais para se provar, 
para se testar do que para se entregar ao outro ou para se envolver com o outro. 
E aí, nos anos 80, surgiu a AIDS, que brecou a sexualidade de toda uma geração. 
As pessoas ficaram mais seletivas 
( " poder, pode; mas não deve" ).
Descobriram que liberdade sempre implica responsabilidade. 

Mas, afinal, o que é responsabilidade? É a habilidade de responder por aquilo que se faz,
porque na vida tudo tem conseqüências. 
Pode-se no dia seguinte acordar grávida 
ou tendo pego alguma doença, até mesmo mortal. 
Por isso, mais e mais se diz que sexo com responsabilidade é sexo sem vítimas. 
E sexo sem responsabilidade é sexo com vítimas. 

Assim, aos poucos, foi surgindo uma nova moral sexual, de circunstância. 
O que significa que um ato em si não é certo ou errado. Depende. 
Sob esse ponto de vista, pode-se comparar sexo com dinheiro. 
Depende de como você usa.
Se você perguntar " ter uma relação sexual é considerado certo ou errado? " 
 a resposta é " depende de com quem, como, quando, onde e por quê " .
Se for com a pessoa errada, na hora errada, pelas razões erradas, é lamentável.
Mas, se for nas condições certas, essa experiência pode ser muito importante. 

É preciso haver honestidade emocional
para ninguém se violentar nem violentar o outro. 
A regra fundamental para a nova moral sexual é, portanto, respeitar-se. 
Não se machucar e não machucar o outro. 
Dentro da nova moral sexual o pecaminoso ou virtuoso não é o ato em si. 
Esse julgamento vale para as condições. 
São as circunstâncias em que ele ocorre 
e as conseqüências que determinam sua validade. 

Entre a repressão e o descompromisso:
Respeito é a base da nova moral sexual.