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Resta o
passado, o meu passado ...
Minha glória,
não por mim,
mas por
ti, que nele existes ...
Por ti,
que me povoas a memória
do coração,
a memória dos sentidos,
a memória
imortal do pensamento,
com as mile
estátuas dos teus gestos tristes,
com os teus
olhos de pasmo, doloridos,
com tua
voz de cântico e lamento,
écloga
e litania do teu amor, que era,
sobre
a frialdade do meu precoce outono,
um hálito morno de primavera. Resta
o passado, céu de eterna claridade,
paraíso
perdido, céu divino,
onde a um
mando de mágoa e de abandono
estacou,
como o sol da Bíblia, o meu destino ...
Resta o passado, que não foge e que não cansa Resta a saudade, mais fiel,
menos triste, que a esperança ...
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