Não
há luz que não espante a treva
Não
há sorriso que não ilumine um semblante
Não
há riso que não sane o mau humor
Não
há amor que não desfaça o ódio
Não
há perdão que não traga a cura
Não
há humildade que não rebaixe o orgulho
Não
há simplicidade que não enrugue a vaidade
Não
há beleza interior que não nuble a beleza externa
Não
há tolerância que não vença a ignorância
Não
há persistência que não atinja um objetivo
Não
há calma que não inferiorize a ira
Não
há paciência que não dissolva a ansiedade
Não
há coragem que não dissolva o medo
Não
há serenidade que não desarme a agressão
Não
há desprendimento que não ridicularize a avareza
Não
há ambição bem dosada que não humilhe a ganância
Não
há fé que não vença a rebeldia
Não
há rendição que não cesse a guerra
Não
há silêncio que não quebre a exaltação
Não
há compreensão que não incomode o erro
Não
há verdade que não derrube a mentira
Há
olhos que observam os meus atos e também os teus:
não
há atos que não sejam vistos
nem há
pensamentos que não cheguem a Deus
Edição
Musical: Udo Erwin Franz
