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  E dizer, mulher, que te julgaram provinda

da costela tortuosa do homem,

como um subproduto do macho,

a quem deves servir em respeitoso silêncio.

 

E dizer, mulher, que te compadeces

das limitações do teu consorte,

frágil espécime que se finge senhor

só para te subjugar, medroso.

 

E dizer, mulher, que fraca te aparentas,

tu, parte mais forte da estrutura humana,

para que teu companheiro se sinta invencível,

robustecido pelo teu aplauso.

 

E dizer, mulher, que, no rolar dos séculos,

escondeste habilmente a tua força intrínseca

para que os varões do teu convívio

não se sentissem confrontados com sua fraqueza.

 

E dizer, mulher, que, com superior humildade,

ouviste as reprimendas dos sermões dominicais

que te acusavam de ser templo do demônio,

instrumento de perversão dos homens de Deus.

 

E, dizer, mulher, que, apesar de tanta injustiça,

não rasgaste o livro de Gênesis

nem condenaste a estrutura injusta

que tenta fazer de ti um ser menor.

 

Pobre homem! 

Tanto te teme que te amordaça!