Mais
uma vez o tempo me assusta.
Passa afobado
pelo meu dia,
Atropela
minha hora,
Despreza
minha agenda.
Corre prepotente,
A disputar
lugar com a ventania.
O tempo
envelhece, não se emenda.
Deveria
haver algum decreto
Que obrigasse
o tempo a desacelerar
E a respeitar
meu projeto.
Só
assim, eu daria conta
Dos livros
que vão se empilhando,
Das melodias
que estão me aguardando,
Das saudades
que venho sentindo,
Das verdades
que ando mentindo,
Das promessas
que venho esquecendo,
Dos impulsos
que sigo contendo,
Dos prazeres
que chegam partindo,
Dos receios
que partem voltando.
Agora, que
redijo a página final,
Percebo
o tanto de caminho percorrido
Ao impulso
da hora que vai me acelerando.
Apesar
do tempo, e sua pressa desleal,
Agradeço
a Deus por ter vivido,
Amanhecer
e continuar teimando ...
