“Padre serás!” – meu pai em sua crença

Quis-me operário da missão divina.

E via-me garboso na batina,

Santo como ele, e de uma fé imensa.

 

Em mim dormita a imagem forte e densa

De um seminário, um rio, uma colina.

O internato ficou-me na retina,

Porém nem tudo sai como se pensa.

 

Eu, que não tenho a fé como negócio,

Passei a questionar o sacerdócio.

Fiz-me padre? – Não pude, não podia!

 

Sou hoje um sacerdote controverso,

Que todo dia vai rezar seu verso

No teu altar sagrado, Mãe-Poesia.
 
 
 
 

Solange Rech
~ Soneto que dá título ao livro ~
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©2004