Parece fácil
amar outra pessoa.
Porém,
a convivência diária traz aborrecimentos
e os gestos
românticos se escasseiam.
Uma conversa
franca pode complicar em vez de resolver.
Não
tente encaixar o outro na forma que você idealizou.
Apenas
o aceite.
No mundo
de esperanças, medos, prazeres e lágrimas.
O que mantém
o vínculo são dezenas de fios invisíveis
(segredos
compartilhados, promessas cumpridas)
que ligam
uma pessoa à outra através dos anos.
Um mundo
feito de corações que se escutam, racham,
quebram
e voltam a se colar.
No começo
parece tão fácil amar outra pessoa.
E o sexo...
Bem, o sexo é divino.
Os olhares,
sorrisos e gestos falam mais do que as palavras.
É
tão bom descobrir de quantas formas diferentes
somos capazes
de compartilhar,
de nos
fundir com a pessoa que amamos...
Acontece
que junto com as afinidades vêm
as hostilidades
geradas pelo conflito de querer amar
e de se
sentir obrigado a amar.
A familiaridade
com o companheiro traz à tona suas imperfeições.
Pequenos
aborrecimentos se agigantam
e mesmo
os gestos românticos vão se escasseando.
Pouco a
pouco, a realidade toma o lugar das imagens idealizadas.
Brigas
acontecem, mas, naturalmente, a culpa é sempre do outro.
" Ele já
não é o mesmo de antes; portanto,
é
o responsável pelos problemas que estamos enfrentando " .
É
sempre mais fácil encontrar uma causa externa
em vez
de olharmos para nós mesmos.
" Eu gosto
de ½ de você. O que faço com o resto ? " .
De alguns
anos para cá, muitos casais valorizam o diálogo como
forma de
resolver esse problema. Revistas, cursos e terapeutas
passaram
a dizer que o importante é pedir o que se deseja.
" Tenha
uma conversa franca e sincera com seu parceiro,
exponha
o que você realmente quer e assim tudo vai se resolver. "
Embora uma
boa conversa seja um ponto de partida razoável, não é
suficiente.
Nós
fomos levados a acreditar que a mudança,
até
mesmo uma transformação radical na relação,
era algo
totalmente possível:
se o outro
realmente amasse, ele faria esforços sobre-humanos
para caber
na forma que você idealizou.
Mas na
prática não é bem assim.
Foi ensinado
às pessoas que a negociação
é
essencial em um bom relacionamento.
É
possível negociar tarefas e alguns comportamentos específicos,
mas não
a personalidade do outro.
É
impossível modelá-lo, transformá-lo.
No livro
Maridos e Mulheres, Melvyn Kinder e Connell Cowan explicam
que uma
pessoa pode querer mudar, mas de algum modo achar isso
dolorosamente
difícil. Muitos dos traços da nossa personalidade foram
desenvolvidos
como meios de nos proteger de danos psicológicos.
Hoje podemos
não precisar desses mecanismos de defesa, mas eles persistem.
Por mais
que queiramos modificá-los, inconscientemente
ainda sentimos
que precisamos deles.
Estes traços
que incomodam ou enfurecem são,
para a
outra pessoa, formas de enfrentar a vida e de sobreviver.
Ninguém
quer contrariar seu parceiro, todos nós tentamos agradar,
só
que nem sempre conseguimos.
E acabamos
fazendo coisas que machucam.
Temos de
aceitar tanto os defeitos como as qualidades do outro.
Amor é
aceitação. Nem sempre falar francamente fortalece o relacionamento.
A afirmação
parece contrária a tudo dque se disse nos últimos tempos,
mas a experiência
provou que às vezes " é melhor calar. E agir. "
É
ingênuo imaginar que basta expressar claramente os sentimentos
para que
o parceiro nos compreenda. Quando duas pessoas resolvem
falar tudo
o que pensam e sentem, podem ficar mais informadas, mas
também
podem acabar mais machucadas e ressentidas.
Certas
coisas não devem nem precisam ser ditas,
por mais
verdadeiras que sejam, pois não ajudam em nada
e costumam
provocar devastação emocional.
A superação
das decepções devido ao fato de o outro
não
ser como tínhamos sonhado é uma dura tarefa.
Mas se
descobre lentamente, muito lentamente,
que se
pode amar alguém apesar de suas falhas.
Por outro
lado, precisamos lembrar que
é
impossível mudar o outro mas não a nós mesmos,
pois todos
estamos constantemente nos modelando.
A vida
é, afinal, uma procura dos segredos do crescimento
e ninguém
os conhece plenamente.

